Relacionamento aberto vale a pena?

indexUm relacionamento aberto é definido como uma relação afetiva estável onde os parceiros que estão envolvidos concordam que as relações extraconjugais não são consideradas como traição ou até mesmo infidelidade.

A palavra “aberto” é usada nesse tipo de relacionamento para representar o grau de liberdade de seus cônjuges, onde ambos aceitam outras relações com pessoas que não façam parte de seu relacionamento, sem que isso seja motivo para desentendimentos entre os dois. O casal no geral consegue aproveitar bem essa situação, já que conseguem dar uma renovada no repertório sem ficar com peso na consciência, algo que pode apimentar a relação.

Mesmo ainda não sendo muito comum ver casais aderindo esse novo conceito, já é possível perceber que o número de adeptos tem aumentado. Há quem diga que o relacionamento aberto não contraria as regras sociais. Entretanto, há muita mulher que passa por ilusões e sofrimentos ao entrar em um relacionamento como este.

A responsabilidade se torna um aspecto questionável, pois ao mesmo tempo em que esteja com alguém, esse alguém pode estar com outra pessoa. Cuidados com a saúde e a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis são pontos fundamentais e devem ser levados à sério. Grande parte dos heterossexuais são portadores do vírus que causa a Aids por irresponsabilidade das relações extraconjugais de seus parceiros.

Voltando ao ponto de partida, existe um questionamento muito forte em torno desse assunto. O relacionamento aberto se caracteriza uma traição? É possível haver um compromisso sério entre o casal nessas condições?

Psicologia: desatando os nós…

Para a psicóloga Jacinta Sutto, o relacionamento aberto é aquele em que o casal se permite ter a liberdade em manter uma relação com outra pessoa. Ha o consentimento tanto do homem como da mulher para que seu par se relacione com outras pessoas sem que se sintam traídos. Não é considerado como ato promíscuo pelo casal, mas sim pela sociedade, dependendo do meio em que se vive, como por exemplo, aos mulçumanos, que lhes é permitido ter várias mulheres.

“Não me cabe julgar esse comportamento, penso que cada um é cada um. O que pode ser bom para uns, pode não sê-lo para outros. O homem é poligâmico, a sociedade exigiu dele a monogamia, mas a cultura lhe permite ter outros “casos” para satisfazer seu papel de macho procriador. Embora seja vedada socialmente às mulheres esta mesma liberdade, hoje isto já começa mudar, elas também traem mais e já não fazem tanta questão de esconder este fato e nem são condenadas como antigamente”, destacou.

De acordo com a psicóloga existe um novo perfil de família. “Hoje a maioria das pessoas não se prende a uma relação insatisfatória, então, para muitos a relação aberta pode proporcionar maior durabilidade no casamento, já que há quebra da rotina, podendo “apimentá-la” ainda mais, se o casal consegue conviver bem com isto, pode servir para melhorar a vida a dois”, explicou.

Por outro lado ela acredita que as questões que envolvem filhos, futuro e sacramentos religiosos são uma forma de tentar evitar “cair” numa possível promiscuidade, tudo depende dos valores de cada um.

“Podemos atribuir esse novo comportamento a vários fatores como: maior liberdade de expressão dos desejos e pensamentos, revolução sexual, a chegada da pílula anticoncepcional, onde a mulher teve a liberdade de escolher querer sexo somente pelo prazer, se libertando da repressão social, passando a ter controle sobre suas escolhas, não correndo mais o risco de uma gravidez indesejada, assim como com a maior inserção no mercado de trabalho ela conquistou a independência financeira, tornando-se “dona de si”, enfrentando preconceitos e ganhando mais autonomia”, explanou Sutto.

Podemos notar que a cultura foi absorvendo esse novo modo de pensar, tanto que hoje a virgindade não é mais valorizada como há anos atrás. Ser virgem é uma opção e não mais uma obrigação social.

“Penso que há outros fatores que envolvem esses comportamentos como o medo de assumir compromissos, que significa comprometer-se com o outro ou com algo, o que é uma ilusão, pois dentro de uma relação aberta também existe o comprometimento entre as partes em assumirem algumas regras criadas pelo próprio casal. Pode ser um modo de expressar uma tentativa em manter-se livre das obrigações impostas por uma relação fechada”, elucidou.

Segundo a psicóloga, para a psicologia, não há nesse caso, o normal ou anormal, desde que ambas as partes desejem esse tipo de relacionamento. “A psicologia se preocupa mais em saber os motivos das escolhas e como as pessoas se relacionam, do que em julgá-las. O conceito de normalidade implica em seguir as convicções sociais”, justificou Sutto, que acrescentou que anormal é o que foge dessas convicções. “Mas afinal, quem estipulou o que é normal ou anormal, quem tem esse direito?”, interrogou.

Prós e Contras

Indagada sobre os possíveis prós e contras de um relacionamento, onde ninguém é de ninguém, a psicóloga Jacinta Sutto afirmou acreditar que essa é uma tendência futura. “Há algumas semanas, conversando com uma amiga, eu disse que penso que relações abertas seja uma tendência futura, o mundo caminha para isso. No entanto, os prós e contras dependem apenas das pessoas. Se o casal aceita este tipo de relação ele tenderá a ser feliz do seu modo. Ela tomou um susto, mas temos que sair da hipocrisia, as coisas estão acontecendo a nossa volta e não podemos ignorá-las, fingir que não existem. Assim, também conheço uma pessoa que vive uma relação aberta há anos, tentaram a relação fechada não deu certo, hoje vivem felizes da sua maneira”.

Casada há quase 25 anos, Jacinta diz viver uma relação fechada e serem felizes desse modo, sem sentirem falta de terem outros relacionamentos. “Relação fechada ou aberta não significa não poder ser feliz. O me preocupa é o fato de algumas pessoas banalizarem este tipo de relação e não preocuparem-se com seus pares. Embora tenhamos que buscar a nossa própria felicidade, e para isso não existe regra fixa, não podemos esquecer que vivemos em sociedade e o que nos difere dos animais é a capacidade de empatia (se colocar no lugar do outro), já que precisamos do outro para sobrevivermos”, disse a psicóloga.

Para ela, é preciso ter cuidado com algumas coisas, como as doenças sexualmente transmissíveis, preocupação com o lugar dos filhos nessa relação, e em como será a velhice dessas pessoas, soltaria ou solidária? Aceitarão, aprenderão a construir e a dividir a convivência com outras ou viverão num mundo só seu ou criarão um mundo melhor?

“Se isto é bom ou ruim, não sei. Sei apenas que deve sempre existir o respeito por si e pelo outro, isto é fundamental, independente das escolhas de cada um”, concluiu.

O que os jovens pensam?

Já comum nos grandes centros, é possível notar certa resistência sobre esse assunto no interior. As pessoas têm medo de se exporem, de sofrerem preconceito e serem mal interpretados. Entrevistamos jovens ourinhenses para entender como eles veem essa nova moda e ambos apostam em um relacionamento que segue as regras tradicionais.

Para o designer gráfico e ilustrador, José Rosseti, 20 anos, essa nova onda é uma maneira de diminuir o convívio e a intimidade que se teria num relacionamento fixo. “Digo isso no sentido de que com a intimidade, vem tanto coisas boas como as ruins. Partilha-se tanto as alegrias quanto os problemas. Muitas pessoas que procuram relacionamentos abertos querem um envolvimento menor. Por isso elas têm mais de um parceiro, buscando sempre o que considera ser o melhor de cada um”, afirmou. “Claro, não dá pra generalizar. Existem motivos diferentes que levam cada um a procurar relações abertas. Não digo que esse tipo de relacionamento seja bom ou ruim, é algo muito particular. Várias pessoas se sentem felizes nessas relações. Não dá pra julgar”, explicou.

Já a assistente de import e export, Samantha Lúcia Pinto, 31 anos, casada, acredita que um relacionamento  aberto  é quase um namoro, sem ter que ficar dando satisfações ao parceiro. “Não há traição, você  tem permissão para fazer o que  você quiser, sem ter que ficar  com peso na consciência. Eu que sou uma eterna apaixonada, aí complica, não  imagino meu marido com outra parceira e nem eu com outro, imagine tornar isso aberto. Pra mim não dá!”

Samantha disse ainda que as pessoas  tem medo de se apaixonarem, de amar, preferem congelar o coração e manter relação  com vários parceiros do que  se arriscar em uma relação e só se frustrar.

Na visão do jovem Luiz Felipe Assumpção, empresário, 21 anos, o mundo de hoje aceita muito bem essa “moda”, devido a facilidade de troca constante de relacionamento. “Eu não sou a favor a esse tipo de relacionamento, sou da moda antiga, época que levava flores”.

Segundo José as pessoas estão ficando impacientes. “Se cansam das mesmas emoções e procuram sempre aquele sentimento de novidade. Muitos têm medo de que o relacionamento caia na rotina, ou medo de se decepcionar. Um relacionamento aberto, muitas vezes, é um jeito de não criar vínculos. Mas há também quem prefira uma relação aberta até ter certeza de que deve ir para o próximo passo. Vai muito de cada um”, enfatizou.

Ele acredita também que é possível ser feliz em um relacionamento assim desde que ambos compartilhem desse pensamento. “Muitos começam assim e acabam se envolvendo. Às vezes algo que começa sem muita importância acaba tomando proporções tamanhas que a relação aberta fica sem sentido”. Samantha e Felipe também acreditam que um relacionamento aberto pode ser tornar algo mais restrito com o tempo. “Tudo depende do casal, porque o amor pode mudar e transformar muito a cabeça das pessoas”.

José, Samantha e Luiz Felipe nunca passaram por essa experiência e justificam não se enquadrar nesse perfil. “Não saberia lidar bem com a situação”, concluiu José.

By  jornalista Vanessa Prado.

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