Qual o melhor momento para mudar a estratégia de carreira?

Por Dra: Lislaine Schmidel.

Fui questionada recentemente por uma advogada muito dinâmica e ativa, porém bastante jovem, sobre qual seria o momento ideal para mudar a estratégia profissional como advogada, ou profissional, especificamente, sobre qual seria o time para sair de uma situação a priori considerada cômoda, para arriscar-se em novos horizontes.

Bem, confesso que jamais refleti sobre isso porque sempre fui demasiadamente intuitiva. Sempre tomei decisões mais motivadas por um feeling natural, do que por estratégias matematicamente calculadas. Não que eu costume a me expor a riscos descomedidos. Nada disso. Mas sempre agi no tempo em que me sentia motivada e ao mesmo tempo encorajada a agir de um modo ou de outro.

Pensar demais sobre algo que constantemente me vem à mente tem o efeito paralítico em mim. Portanto, se passo mais de meses pensando insistentemente em algo, ou situação, a qual por algum motivo me veja inserida, mas nada faço a respeito disso, pronto, perco a motivação, me torno indecisa, imóvel. Nada tende a progredir a respeito daquilo.

Na minha vida, todas as mudanças surgiram por um conjunto de fatores que talvez se resumissem em:

1) insatisfação latente ou insistente.

Sempre comecei um processo de mudança, sobretudo por me sentir insatisfeita com a situação em que me encontrava.  Certamente acredito que a insatisfação seja uma das maiores molas propulsoras da humanidade.

A insatisfação criou a roda, já pararam para pensar nisso?

Todavia, pensar que insatisfação é fator que justifica a re-clamação é uma bobagem sem precedentes. Quando insatisfeitos, comumente podemos nos tornar pessoas que somente se queixam e reclamam de tudo e todos. Vítimas permanentes das circunstâncias.

A insatisfação que se torna reclamação é perda de tempo, de energia, de oportunidade, de felicidade e de evolução.

A insatisfação que, entretanto, desperta o senso crítico, a criatividade a o senso inventivo da pessoa, essa sim é a insatisfação que move, a que todo mundo deve ter dentro de si em alguma dose.

2) Crença em minha própria capacidade de realização.

Como eu já expus em algumas ocasiões, a insegurança sobre sua própria capacidade é uma sabotagem comum entre as pessoas, e acredito que isso pode ser causado muito mais pelo olhar pousado sobre o outro, do que sobre um real e eficiente processo de autoconhecimento, ou de autovalorização.

Devemos ter cautela ao admirar o outro. Quando os feitos de alguém, ou suas qualidades, servem de estímulo para que possamos concluir por meio de dados reais que é possível alcançar determinados objetivos, simplesmente pela convicção de que todo o ser humano é criado com a mesma matéria e munido, quase sempre, das mesmas competências físicas e mentais, é muito válida a inspiração. Mais ainda quando as pessoas as quais consideramos exemplares os são, justamente, por serem prova de superação de obstáculos em algum nível da vida.

Se, no entanto, usarmos as pessoas como índice comparativo, ou como meros objetos de desejo no tocante ao “querer ter” o que aquela pessoa aparenta ter ou ser, estamos fadados à frustração, tristeza e revolta, e a questionarmos nossa capacidade de realização de forma vazia e idiota.

Saber que somos constituídos da mesma massa cinzenta é um bom passo para sabermos que podemos nos tornar algo próximo do que foi o cientista Albert Einsten. Se esse é nosso objetivo de vida, assim como também podemos nos tornar um atleta, um intelectual de ponta, um gestor competente, um orador de excelência e por aí vai.

3) Necessidade que suplanta o medo.

Já tive a oportunidade de falar sobre como o medo pode ser algo que verdadeiramente mina a nossa evolução.

Mas, se tem algo poderoso que pode eliminar qualquer medo, é a tal da necessidade.

Ah, essa sim. Já ouviram falar daquele velho ditado que diz que “quando a água bate na bunda” as pessoas rapidinho encontram um meio de resolver algo? A urgência pela necessidade é um antídoto poderosíssimo de movimentação do ser.

Se não há necessidade ou se a consciência de que a solução virá sempre de um terceiro, a ajuda ou apoio financeiro, a tendência natural do ser humano é dar menos de 10% de sua capacidade na concretização do seu objetivo.

4) Ambição acerca de uma projeção de futuro muito sedimentada.

Eu sempre fui ambiciosa. Sim, e digo isso sem receio algum de julgamento. Se não houver ambição, não há motivação.

Os ignorantes constantemente confundem ambição com ganância. Contudo, esta última diz respeito à ânsia incontrolável por dinheiro, custe o que custar para alcançar um objetivo econômico. A ambição, na verdade, é motivação a algo que o ser humano considerar importante ao seu senso de realização, e pode estar ligada a fatores materiais ou não.

Se você almeja ser uma referência em sua área profissional, isso é uma ambição. Assim como quando você deseja construir um projeto social, ou mesmo participar de um, também é uma ambição. Mas como tudo na vida, deve ser equilibrado. A ambição deve existir em você tanto quanto outros sentimentos ou características importantes, mas jamais ser maior do que o senso ético.

5) Autonomia.

Procurar depender o menos possível dos outros para iniciar algo em sua vida é primordial. O que não quer dizer que você não possa buscar ajuda, valer-se do seu networking. Contudo, ficar aguardando que outras pessoas decidam fazer por você aquilo que sabe perfeitamente como fazer  é inaceitável. Se quer algo e sabe o caminho, faça você mesmo!

6) Percepção de que o status quo não mais acrescenta ou entusiasma.

Tédio, falta de desafios, obstáculos impostos por outras pessoas que impedem seu crescimento. Todos esses são fatores que minam não só a autoestima como também a vontade de fazer, a vontade de melhorar de evoluir. Se esses fatores estão presentes em sua vida há algum tempo, reveja sua situação com urgência.

7) Dizer não.

Muitas pessoas vão querer barrar seus passos por conveniência própria. Aprenda a dizer não. Mas aprenda a dizer não com inteligência. Não crie inimizades por isso.

8) Não pensar no que deixou para trás.

Escolheu mudar? Então o passado só te servirá de experiência. Esqueça! Ficar matutando se sua decisão foi boa ou ruim, e se aquela promoção que não saiu em anos de espera poderia ter finalmente acontecido se você tivesse aguentado mais uns seis meses, não vai mudar nada, e só te trará incertezas e conjecturas inúteis.

9) Certificar-se de que suas fontes de apoios são seguras e confiáveis.

Amigos e parceiros leais são essenciais no seu caminho. Devo muito aos meus.

10) Decidir fazer e fazer.     

Algo a dizer aqui? Acho que não.

Dra: Lislaine Schmidel  é advogada, pós-graduada em Direito Empresarial e do Trabalho, membro do Instituto Brasileiro de Práticas Colaborativas, sócia da Schmidel e Associados, mentora feminina e influenciadora de conteúdo digital.

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