Não, meu filho de 10 anos não está procurando uma namorada. Ele gosta de meninos!

5No início deste semestre, a escola de nossos filhos mandou para casa uma lista de clubes extracurriculares disponíveis aos estudantes. Meu marido sentou-se com a lista e nossos dois filhos que frequentam a escola elementar. Eles poderiam escolher qualquer clube. Nosso filho do meio, que está na 2ª série este ano e é um adorável nerd, escolheu o clube de jogos de tabuleiro.

Nosso filho mais velho, hoje na 4ª série, escolheu Zumba. Quando tem a opção, ele geralmente escolhe esportes antes de qualquer coisa, mas preferiu o exercício baseado em dança que é Zumba. Ele adora cantar e dançar, por isso apenas encolhemos os ombros e dissemos “Está bem, parece ótimo”. Inscrevemos os garotos e todos ficamos felizes.

Conforme o semestre avançava, ambos desfrutavam seus clubes, mas a opção do mais velho quase sempre recebia a mesma reação, algo como: “Ele é esperto. Aposto que é o único menino lá, e pode escolher a garota que quiser”.

A primeira vez que isso aconteceu fiquei chocada, porque nunca tinha pensado dessa forma. Em nossa casa não seguimos exatamente os papéis tradicionais de gênero. Meu marido é um pai que fica em casa e faz todo o trabalho doméstico e cozinha; sou eu quem trabalha fora de casa em tempo integral. Temos três filhos (mas o menor só começará a escola no ano que vem), e o que eles querem fazer é simplesmente o que eles querem fazer. Nós aceitamos. Não importa que não seja tradicionalmente masculino. Apesar disso, nosso filho mais velho é um estereótipo de menino. Ele adora esportes, videogames, ninjas. Nós consideramos cantar e dançar uma coisa divertida para todo mundo. Em público, meu marido eu somos conhecidos por improvisar números de canto e dança que costumam envergonhar nossos filhos.

“Quantos meninos estão na Zumba?”, perguntei ao meu garoto.

“Só eu”, ele respondeu sem hesitar.

“E isso o incomoda?”

“Não”, disse ele com um gesto de ombro. “É divertido.”

E foi assim.

Mas aquela reação dos outros, aquelas piscadelas marotas, continuavam acontecendo. E isso me incomodava. Meu filho mais velho é gay. Sim, ele pode estar apenas na quarta série, mas é identificado como gay desde o início da primeira. Ele não dá sinais de mudança. Todos os nossos amigos próximos e parentes sabem que nosso filho é gay, mas muitas pessoas com quem trabalhei ou que conhecíamos socialmente não tinham ideia. E essa ideia de paquerador de meninas que eles tinham sobre meu filho me incomodava.

Sim, eu sei que isso é meio ridículo. Nos últimos anos, enfrentamos um bom número de reações chocadas pela orientação de nosso filho. Também lidamos com a reação “Isso ainda está acontecendo?” conforme os anos passaram. Mas nunca deixo de me incomodar quando as pessoas automaticamente supõem que ele seja hétero. Fico tão incomodada que comecei a corrigir as pessoas.

“Não”, digo, “ele não se interessa por meninas. Ele é gay. Ele diz que as garotas são suas amigas.”
Então veio a reação, e quase sempre a mesma: “É mesmo? Como ele pode saber isso? Ele é tão jovem…”

Essas pessoas não viam a contradição em suas palavras. Elas apenas supunham que meu filho tivesse escolhido o clube de Zumba para que pudesse se aproximar e paquerar as meninas, mas depois elas diziam que ele era jovem demais para saber que gosta de meninos. Elas achavam que ele estaria atrás das meninas, o que significa que supunham que ele já soubesse que era hétero, mas a ideia de que ele pudesse saber que é gay parecia chocá-las.

Sim, pelos números, supor que as pessoas são hétero é uma aposta mais segura. A maioria das pessoas é. Mas as suposições são perigosas. Esta, em particular, implica para meu filho que há algo errado no fato de ele não ser hétero. E não há. Ele deve ser exatamente quem ele é.

Meu filho tem paixões, diversas. Sua paixão mais longa e notável é por Blaine, do Glee, mas Blaine está sendo rapidamente suplantado por Barry, de The Flash. Meu filho é romântico, adorável e inocente. Mas quando as pessoas falam sobre ele e sua aula de Zumba não parecem inocentes; parecem hipócritas. Mas depois elas ficam chocadas com a ideia de ele saber que é gay. Como sua mãe, acho tudo isso realmente frustrante.

Lembro-me de minha primeira paixão. Era um amigo de um dos meus tios, que todos chamavam de “Big Mike”. Acho que eu tinha 6 ou 7 anos e o seguia por toda parte e o enchia de perguntas; tenho a certeza de que era uma chata. Mas não era sexual. Eu apenas sabia que queria estar perto dele e que ele prestasse atenção em mim. Big Mike era um homem enorme com barba, do tipo lenhador — e parecia muito com o homem com quem eu me casaria depois, o pai dos meus filhos. Reconhecer as semelhanças em retrospectiva me faz sorrir. Desde que fiz essa conexão, olhei de uma nova maneira para meu filho, o modo como ele fica vermelho quando fala de um menino de quem gosta. Ele está descobrindo do que gosta, assim como eu fiz. Antes que os meninos gays tivessem a oportunidade de ser criados sem homofobia e com pessoas gays em suas vidas, as paixões pelo mesmo gênero eram algo que tinha de ser mantido em segredo. Meu filho não tem um segredo. Ele apenas é.

Acho que é importante eu me manifestar, corrigir as pessoas explicitamente quando elas assumem que meu filho é hétero. Preciso dizer claramente: “Não, isso não descreve meu filho”.

Porque as crianças não se tornam gays por mágica na puberdade. A orientação é algo mais profundo. É algo que não tem a ver apenas com sexo, mas com atração e amor, e até amor adolescente. E é lindo. Não há nada de errado em tudo isso.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.
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