Morre a transformista Rogéria. Confira sua trajetória!

Aos 74 anos, faleceu a transformista Rogéria na noite desta segunda-feira (4). Rogéria foi levada para a UTI do Hospital Unimed, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, durante o período da tarde. A informação sobre o falecimento de Rogéria emocionou muita gente.  Rogéria lutava há alguns meses contra um problema de saúde, que foi descrito pela imprensa como infecção renal.

O Hospital Unimed-Rio informou que a causa da morte de Rogéria foi um choque séptico. De acordo com a unidade hospitalar, ela estava internada na unidade desde 8 de agosto devido a um quadro de infecção urinária.

No último dia 25 de agosto, a atriz chegou a receber alta da Unidade de Tratamento Intensivo do hospital e foi levada para o quarto. Em julho, a atriz tinha sido internada por duas semanas em uma clínica em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio. Ela deu entrada na unidade no dia 13 por conta de uma infecção generalizada. O seu quadro havia piorado depois de uma crise convulsiva.

Nascida Astolfo Barroso Pinto (Cantagalo, 25 de maio de 1943) foi maquiadora na extinta TV Rio e vedete. Morou no exterior, apresentando vários shows, e em 1979 recebeu o Troféu Mambembe, pelo espetáculo que fez ao lado de Grande Otelo. Em uma entrevista, a estonteante Rogéria declarou: “Em Cantagalo, nasceu a maior bicha do Brasil – no caso, eu – e o maior macho do Brasil, Euclides da Cunha”.

Foto:Alex Silva

Rogéria, desde sua infância tinha consciência da homossexualidade e na adolescência virou transformista e assumiu uma carreira de maquiadora. Antes disso, virou figura assídua no auditório da Rádio Nacional, particularmente nos programas estrelados pela cantora Emilinha Borba, da qual era fã de carteirinha.

Confira alguns cliques de sua vida artística!

Rogéria abriu porta para travestis na televisão brasileira.

Tive uma família maravilhosa, com uma mãe que nunca me fez uma afronta. Nenhum dos meus 14 tios questionou minha sexualidade. Eu não sofri bullying. Eu que batia em todos os garotos! (Rogéria para Gente – iG)

Ainda adolescente, no tempo da ditadura, Rogéria corria da polícia nas ruas, um pouco prejudicada pelo salto, é claro. Mas como todo brasileiro, ela sempre soube se levantar, ajeitar o penteado e seguir em frente. A uma certa altura, foi animada a candidatar-se a presidente para transformar o Palácio do Planalto em Casa Rosada. Não aceitou.

As pessoas estão mais preconceituosas. A verdade é que não estão estudando, não abrem mais suas cabeças como nas décadas de 70 e 80, por exemplo. Sabe o que me enche de orgulho? Quando uma senhora me para na rua e me diz que adora quando falo que meu nome é Astolfo Barroso Pinto. Isso mostra que nada do que fiz foi em vão. (Rogéria para Gente – iG)

Astolfo Barroso Pinto, o menino com jeito delicado e muito brilho nos olhos ensaiava seus primeiros passos ao mesmo tempo em que cantava como gente grande. Nascido em 25 de maio de 1943 em Cantagalo, Norte Fluminense, não demorou muito para que sua estrela começasse a brilhar. Era atração do bairro onde morava com sua família, tendo total apoio de sua mãe, D.Eloá, e seus dois irmãos, todos sem nenhum preconceito em relação ao homossexualismo. Astolfinho, como era chamado, afirma que “se não fosse minha mãe, eu não seria Rogéria”.

Vou revelar uma coisa que nunca contei. Meus tios passavam a mão em mim, com o claro intuito de se aproveitarem. Eles me bolinavam. Mas eu tinha a situação em minhas mãos. Eles só passavam a mão porque eu deixava. (Rogéria para Gente – iG – Foto: Thiago Motta-Divulgação)

Na juventude, tendo se inspirado em ícones cinematográficos internacionais como Betty Davis, Marilyn Monroe, desde os 10 anos quando morava em Niterói, interpretava personagens como Cleópatra bem como costumava se atirar dos cipós imitando Jane, preferida do Tarzan.

Eu tinha medo de parecer puta ou trava. Tenho que passar por atriz! Passei pelas mãos de Irene Ravache, Bibi Ferreira, Fernanda Montenegro… Ao invés de colocar em prática o fato de que eu sou mulher, coloquei na cabeça que sou ator. Não é minha cabeça, portanto, estar operada. O que me interessa é o prestígio artístico.
(Rogéria para Gente – iG)

Sua mãe bordou toda a primeira roupa de baiana para o show inaugural de sua gloriosa carreira que aconteceu no Stop Club em 1960. Na época, já exercia a atividade de maquiador na antiga TV Rio e aos 19 anos embelezava personalidades do mundo artístico como Fernanda Montenegro, Emilinha Borba, Marlene, Elizete Cardoso, Nair Belo, entre outras. Nessa ocasião, a atriz Zélia Hoffman resolve chamá-lo por Rogério, que seria mais “soft”, justificando que Astolfo, nome de batismo, seria muito formal. A consagração do nome artístico veio no concurso de fantasias no Teatro República (RJ) em 1964. Vestida de Dama da Noite, vedete sofisticada do Moulin Rouge (Paris), empatou em primeiro lugar com Susy Wong que estava ricamente vestida. O resultado ocorreu não tanto pelo luxo de sua fantasia, mas pela presença de um talento nato, que a levou a roubar a cena. Foi quando, pela primeira vez, o público aclamou por Rogéria. A partir daí assume de fato a nova personalidade e com humor refinado garante que não tirou o Pinto nem do nome…

O sucesso logo despontou para essa geminiana com ascendente em leão. Primeiro no Internacional Set, posteriormente no Le Girls, o mais importante show de travestis de todos os tempos, passou a ser a grande estrela de Carlos Machado. Autodidata por excelência, inteligência aguçada, astúcia ferina e voz inesquecível, Rogéria arruma as malas rumo a novos desafios: parte para a carreira internacional começando por Moçambique.

Na condição de homossexual consciente, Rogéria enfrentou inúmeros preconceitos de uma sociedade que jogava pra debaixo do tapete tudo o que não fosse convencional. No clique acima, Rogéria com a amiga Divina Valéria.

Rogéria esteve ano passado falando de sua biografia no Programa do Jô na Globo.

A biografia de Rogéria.

 

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